.+*♥*+..+*♥*+..+*♥*+..+*♥*+..+*♥*+..+*♥*+..+*♥*+..+*♥*+.

Os imortais vivem entre nós, poesias lindas e feitas de brisa do amanhecer!

Quero fazer um convite, quero conhecer vossos gostos!

Vou postar poesias dos imortais que cada um me mandar, aquela que te faz vibrar, manda-me por email, face, blog, msn, qualquer maneira!

kiromenezes@hotmail.com

Manda-me sua poesia Imortal!

'+*♥*+..+*♥*+..+*♥*+..+*♥*+..+*♥*+..+*♥*+..+*♥*+..+*♥*+'

•○•.._____________..•○•

A um poeta (Por Antero de Quental)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011


A um poeta


Google Images

Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,

Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,
Afuguentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!


Ergue-te pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!




Antero de Quental



Timidez

segunda-feira, 3 de outubro de 2011



Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...


— mas só esse eu não farei.


Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...


— palavra que não direi.


Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,


— que amargamente inventei.


E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...


— e um dia me acabarei.


Cecília Meireles


Poesia de Cecília Meireles

quinta-feira, 22 de setembro de 2011



Google Images





O tempo seca a beleza.
seca o amor, seca as palavras.
Deixa tudo solto, leve,
desunido para sempre
como as areias nas águas.

O tempo seca a saudade,
seca as lembranças e as lágrimas.
Deixa algum retrato, apenas,
vagando seco e vazio
como estas conchas das praias.

O tempo seca o desejo
e suas velhas batalhas.
Seca o frágil arabesco,
vestígio do musgo humano,
na densa turfa mortuária.

Esperarei pelo tempo
com suas conquistas áridas.
Esperarei que te seque,
não na terra, Amor-Perfeito,
num tempo depois das almas.




Cecília Meireles


Parte trazida por
Auxiliadora RS



Amor e Tempo (Padre Antonio Vieira)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011


Google Images


Tudo cura o tempo, 
tudo faz esquecer, 
tudo gasta, 
tudo digere,
 tudo acaba. 

Atreve-se o tempo a colunas de mármore, 
quanto mais a corações de cera! 

São as afeições como as vidas, 
que não há mais certo sinal 
de haverem de durar pouco, 
que terem durado muito. 

São como as linhas, 
que partem do centro para a circunferência, 
que quanto mais continuadas, 
tanto menos unidas. 

Por isso os antigos 
sabiamente pintaram o amor menino; 
porque não há amor tão robusto 
que chegue a ser velho. 

De todos os instrumentos 
com que o armou a natureza, 
o desarma o tempo. 

Afrouxa-lhe o arco, 
com que já não atira;
embota-lhe as setas, 
com que já não fere; 
abre-lhe os olhos, 
com que vê o que não via; 
e faz-lhe crescer as asas, 
com que voa e foge. 

A razão natural de toda esta diferença 
é porque o tempo tira a novidade às coisas, 
descobre-lhe os defeitos, 
enfastia-lhe o gosto, 
e basta que sejam usadas 
para não serem as mesmas. 

Gasta-se o ferro com o uso, 
quanto mais o amor?! 

O mesmo amar é causa de não amar 
e o ter amado muito, de amar menos.


Padre Antônio Vieira


Poema de Garcia Loca

http://vidaseverdades.blogspot.com



"Un ataúd con ruedas es su cama
a las cinco de la tarde.
Huesos y flautas suenan en su oído
a las cinco de la tarde.

El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.
El cuarto se irisaba de agonía
a las cinco de la tarde.

A lo lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.
Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.

Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.

A las cinco de la tarde.
¡Ay qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombras de la tarde!"


...

Federico García Lorca - Espanhol.




"Um caixão sobre rodas é sua cama
às cinco da tarde.
Google Images
Ossos e flautas ressoam em seu ouvido
às cinco da tarde.

Seguido do touro na testa
às cinco da tarde.
A sala estava iridescente em agonia
às cinco da tarde.

Na distância a gangrena já
às cinco da tarde.
Chifre do lírio verde Inglês
às cinco da tarde.

As feridas queimavam como sóis
às cinco horas,
e a multidão quebrou as janelas
às cinco da tarde.

Às cinco da tarde.
Oh, que terrível cinco da tarde!
Eram cinco em todos os relógios!
Eram cinco horas da tarde de sombras! "



Tradução Google Tradutor