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Os imortais vivem entre nós, poesias lindas e feitas de brisa do amanhecer!

Quero fazer um convite, quero conhecer vossos gostos!

Vou postar poesias dos imortais que cada um me mandar, aquela que te faz vibrar, manda-me por email, face, blog, msn, qualquer maneira!

kiromenezes@hotmail.com

Manda-me sua poesia Imortal!

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A Flor do Maracujá (Fagundes Varela)

quinta-feira, 15 de março de 2012


Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá!

Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas do sereno
Nas folhas de gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá!

Pelas tranças da mãe-d'água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá!

Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá!

Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá!
Pelas florestas imensas
Que falam de Jeová!
Pela lança ensanguentada
Da flor do maracujá!

Por tudo o que o céu revela!
Por tudo o que a terra dá
Eu te juro que minh'alma
De tua alma escrava está!...
Guarda contigo esse emblema
Da flor do maracujá!

Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em — a —
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos ouve, sinhá!
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!


Publicado no livro Cantos meridionais (1869).



Cartas de amor a Heloísa (Graciliano Ramos)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012



Dizes que brevemente 
serás a metade de minha alma. 

A metade? 
Brevemente? 
Não: já agora és, 
não a metade, mas toda. 

Dou-te a minha alma inteira, 
deixe-me apenas uma pequena parte 
para que eu possa existir por algum tempo
 e adorar-te.



(Cartas de amor a Heloísa)
Graciliano Ramos



Meus oito anos (Casimiro de Abreu)

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

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Oh! Que saudade que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das goiabeiras...




Casimiro de Abreu




A um poeta (Por Antero de Quental)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011


A um poeta


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Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,

Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,
Afuguentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!


Ergue-te pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!




Antero de Quental



Timidez

segunda-feira, 3 de outubro de 2011



Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...


— mas só esse eu não farei.


Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...


— palavra que não direi.


Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,


— que amargamente inventei.


E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...


— e um dia me acabarei.


Cecília Meireles


Poesia de Cecília Meireles

quinta-feira, 22 de setembro de 2011



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O tempo seca a beleza.
seca o amor, seca as palavras.
Deixa tudo solto, leve,
desunido para sempre
como as areias nas águas.

O tempo seca a saudade,
seca as lembranças e as lágrimas.
Deixa algum retrato, apenas,
vagando seco e vazio
como estas conchas das praias.

O tempo seca o desejo
e suas velhas batalhas.
Seca o frágil arabesco,
vestígio do musgo humano,
na densa turfa mortuária.

Esperarei pelo tempo
com suas conquistas áridas.
Esperarei que te seque,
não na terra, Amor-Perfeito,
num tempo depois das almas.




Cecília Meireles


Parte trazida por
Auxiliadora RS



Amor e Tempo (Padre Antonio Vieira)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011


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Tudo cura o tempo, 
tudo faz esquecer, 
tudo gasta, 
tudo digere,
 tudo acaba. 

Atreve-se o tempo a colunas de mármore, 
quanto mais a corações de cera! 

São as afeições como as vidas, 
que não há mais certo sinal 
de haverem de durar pouco, 
que terem durado muito. 

São como as linhas, 
que partem do centro para a circunferência, 
que quanto mais continuadas, 
tanto menos unidas. 

Por isso os antigos 
sabiamente pintaram o amor menino; 
porque não há amor tão robusto 
que chegue a ser velho. 

De todos os instrumentos 
com que o armou a natureza, 
o desarma o tempo. 

Afrouxa-lhe o arco, 
com que já não atira;
embota-lhe as setas, 
com que já não fere; 
abre-lhe os olhos, 
com que vê o que não via; 
e faz-lhe crescer as asas, 
com que voa e foge. 

A razão natural de toda esta diferença 
é porque o tempo tira a novidade às coisas, 
descobre-lhe os defeitos, 
enfastia-lhe o gosto, 
e basta que sejam usadas 
para não serem as mesmas. 

Gasta-se o ferro com o uso, 
quanto mais o amor?! 

O mesmo amar é causa de não amar 
e o ter amado muito, de amar menos.


Padre Antônio Vieira


Poema de Garcia Loca

http://vidaseverdades.blogspot.com



"Un ataúd con ruedas es su cama
a las cinco de la tarde.
Huesos y flautas suenan en su oído
a las cinco de la tarde.

El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.
El cuarto se irisaba de agonía
a las cinco de la tarde.

A lo lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.
Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.

Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.

A las cinco de la tarde.
¡Ay qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombras de la tarde!"


...

Federico García Lorca - Espanhol.




"Um caixão sobre rodas é sua cama
às cinco da tarde.
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Ossos e flautas ressoam em seu ouvido
às cinco da tarde.

Seguido do touro na testa
às cinco da tarde.
A sala estava iridescente em agonia
às cinco da tarde.

Na distância a gangrena já
às cinco da tarde.
Chifre do lírio verde Inglês
às cinco da tarde.

As feridas queimavam como sóis
às cinco horas,
e a multidão quebrou as janelas
às cinco da tarde.

Às cinco da tarde.
Oh, que terrível cinco da tarde!
Eram cinco em todos os relógios!
Eram cinco horas da tarde de sombras! "



Tradução Google Tradutor


Tropicana

terça-feira, 20 de setembro de 2011

http://deusasdooriente.blogspot.com/





Morena Tropicana




Composição: 
Alceu Valença/Vicente Barreto




Da manga rosa
Quero gosto e o sumo.
Melão maduro, sapoti, juá.
Jaboticaba, teu olhar noturno;
Beijo travoso de umbú cajá.

Pele macia,
Ai! carne de cajú!
Saliva doce, doce mel,
Mel de uruçú.

Linda morena,
Fruta de vez temporana,
Caldo de cana caiana,
Vem me desfrutar!

Morena Tropicana,
Eu quero teu sabor.


Se cada dia cai

segunda-feira, 5 de setembro de 2011




Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.

Pablo Neruda

Por Alberto Santos Dumont

sexta-feira, 2 de setembro de 2011


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Haverá hoje, 
talvez, 
quem ridicularize minhas previsões
sobre o futuro dos aeroplanos. 

Quem viver, porém vera! 


Alberto Santos Dumont, 
Paris 1905



Cinco minutos - José de Alencar

quinta-feira, 1 de setembro de 2011



Foto de Bia Menezes







Cinco minutos





Um dia iras errante pelas vastas solidões dos mares
ou pelos cimos elevados das montanhas, longe do mundo,
sob o olhar protetor de Deus,
à sombra dos cuidados de nossa mãe,

mas até isso viveremos tanto um com o outro,
encheremos de tanta afeição os nossos dias, as
nossas horas, os nossos instantes juntos, que,
por mais curto que seja o nosso tempo juntos,
teremos vivido por cada minuto séculos de
amor e de felicidade.

Eu espero; mas temo.

Espero-te como a flor desfalecida espera o raio de sol que
deve aquecê-la, a gota de orvalho que pode animá-la, o hálito
da brisa que vem bafejá-la.

Porque para mim o único céu que hoje me sorri, são teus olhos;
o calor que pode me fazer viver, é o do teu seio.

Tens mais dúvidas do meu amor?


José de Alencar 



Por FlorBela Espanca

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Foto de Kiro Menezes


Nosso sonho morreu. Devagarinho,
Rezemos uma prece doce e triste
Por alma desse sonho! Vá… baixinho…
Por esse sonho, amor, que não existe!


Vamos encher-lhe o seu caixão dolente
De roxas violetas; triste cor!
Triste como ele, nascido ao sol poente,
O nosso sonho… ai!… reza baixo… amor…

Foste tu que o mataste! E foi sorrindo,
Foi sorrindo e cantando alegremente,
Que tu mataste o nosso sonho lindo!

Nosso sonho morreu… Reza mansinho…
Ai, talvez que rezando, docemente,
O nosso sonho acorde… mais baixinho…



Florbela Espanca



Meu Sonho (Cecília Meireles)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Foto de Kiro Menezes


Meu Sonho (Cecília Meireles)


Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...


Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.


Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?


Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar...


Poesia de Antoine de Saint-Exupéry

segunda-feira, 20 de junho de 2011




Por Antoine de 
Saint-Exupéry



As pessoas têm estrelas que não são as mesmas.

Para uns, que viajam, as estrelas são guias.

Para outros, elas não passam de pequenas luzes.

Para outros, os sábios, são problemas.

Para o meu negociante, eram ouro.




Mas todas essas estrelas se calam.

Tu porém, terás estrelas como ninguém...

Quero dizer: quando olhares o céu de noite,

(porque habitarei uma delas e estarei rindo),

então será como se como se todas as estrelas te rissem!




E tu terás estrelas que sabem sorrir!

Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido.

Tu serás sempre meu amigo

(basta olhar para o céu e estarei lá).




Terás vontade de rir comigo.

E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto...

e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu.

Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!



Fumo (Florbela Espanca)

terça-feira, 14 de junho de 2011




Fumo



                                             (Florbela Espanca)



Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...


Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...


A menina dos meus olhos (Por Alceu Valença)

sexta-feira, 10 de junho de 2011




A Menina Dos Meus Olhos


Alceu Valença




A menina dos meus olhos tem no rosto uma romã
E um sorriso que deságua no meu céu toda manhã
Tem o fogo das serpentes e a pureza do cristal
e a forma que o desejo só acha no carnaval


A menina dos meus olhos tem a cor de azul não sei
a mistura do que vi e o não acreditei
faz inveja a natureza quando se banha na Lua
Alegra minha vaidade quando me diz "Eu sou tua"


A menina dos meus olhos que eu namoro todo dia
Me redime dos pecados que a lida propicia
de não ser o que pareço mas se fosse não seria
Esse tanto pelo avesso que melhor não poderia



Poemeto Erótico (Manuel Bandeira)

segunda-feira, 23 de maio de 2011






Poemeto Erótico




Teu corpo claro e perfeito,
- Teu corpo de maravilha
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...


Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa... flor de laranjeira...
Teu corpo branco e macio
É como um véu de noivado...


Teu corpo é pomo doirado...
Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...
Teu corpo é a brasa do lume...


Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes...
É puro 


É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama...
Volúpia de água e da chama...


A todo momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...


Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira...




 (Manuel Bandeira)


Não se Mate (Carlos Drummont de Andrade)

sexta-feira, 20 de maio de 2011


Não se Mate


Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê,
pra quê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá.



Carlos Drummond de Andrade


Mocidade e Morte (Castro Alves)

quinta-feira, 19 de maio de 2011




Mocidade e Morte


Castro Alves



E porto avisto o porto
Imermo, nebuloso, o sempre noite
Chamado — Eternidade. —
Laurindo.

Lasciate ogni speranza, voi
ch'entrate.
Dante.
Oh! Eu quero viver, beber perfumes

Na flor silvestre, que embalsama
os ares;
Ver minh'alma adejar pelo infinito,

Qual branca vela n'amplidão
dos mares.

No seio da mulher há tanto
aroma...
Nos seus beijos de fogo há
tanta vida...
Árabe errante, vou dormir à
tarde
A sombra fresca da palmeira
erguida.
Mas uma vez responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea fria.

Morrer... quando este mundo é um paraíso,
E a alma um cisne de douradas plumas:
Não! o seio da amante é um lago virgem...
Quero boiar à tona das espumas.
Vem! formosa mulher-camélia pálida,
Que banharam de pranto as alvoradas.

Minh'alma é a borboleta, que espaneja
O pó das asas lúcidas, douradas...
E a mesma vez repete-me terrível,
Com gargalhar sarcástico: — impossível!

Eu sinto em mim o borbulhar do gênio.

Vejo além um futuro radiante:

Avante! — brada-me o talento n'alma
E o eco ao longe me repete-avante!—
O futuro... o futuro... no seu seio...
Entre louros e bênçãos dorme a glórial
Após-um nome do universo n'alma,

Um nome escrito no Panteon da história.
E a mesma voz repete funerária: —
Teu Panteon-a pedra mortuária!
Morrer-é ver extinto dentre as névoas
O fanal, que nas guia na tormenta:
Condenado — escutar dobres de sino,

— Voz da morte, que a morte lhe lamenta—
Ai! morrer — é trocar astros por círios,
Leito macio por esquife imundo,
Trocar os beijos da mulher — no visco
Da larva errante no sepulcro fundo.
Ver tudo findo... só na lousa um nome,

Que o viandante a perpassar consome
E eu sei que vou morrer... dentro em meu peito
Um mal terrível me devora a vida:
Triste Ahasverus, que no fim da estrada,
Só tem por braços uma cruz erguida.
Sou o cipreste, qu'inda mesmo flórido,

Sombra de morte no ramal encerra!
Vivo— que vaga sobre o chão da morte,
Morto-entre os vivos a vagar na terra.
Do sepulcro escutando triste grito
Sempre, sempre bradando-me: maldito! —
E eu morro, ó Deus! na aurora da existência,

Quando a sede e o desejo em nós palpita...
Levei aos lábios o dourado pomo,
Mordi no fruto podre do Asfaltita.
No triclínio da vida— novo Tântalo —
O vinho do viver ante mim passa...
Sou dos convivas da legenda Hebraica,

O 'stilete de Deus quebra-me a taça.
É que até minha sombra é inexorável,
Morrer! morrer! soluça-me implacável.
Adeus, pálida amante dos meus sonhos!
Adeus, vida! Adeus, glória! amor! anelos!

Escuta, minha irmã, cuidosa enxuga

Os prantos de meu pai nos teus cabelos.
Fora louco esperar! fria rajada
Sinto que do viver me extingue a lampa...
Resta-me agora por futuro — a terra,
Por glória-nada, por amor-a campa.

Adeus! arrasta-me uma voz sombria
Já me foge a razão na noite fria!...